Texto 7: A carta de Caminha
| Imagem retirada de: https://www.brasildefato.com.br/2021/07/24/artigo-pero-vaz-bento-teixeira-nisia-floresta-como-comecou-a-literatura-no-brasil |
No sétimo texto, lemos "A Carta" de Pero Vaz de Caminha, a famosa carta sobre a "descoberta" desse novo território que viria a ser o Brasil, e descrevendo algumas coisas que nele havia. Mas sabemos que, na realidade, não houve descobrimento, pois os povos indígenas já habitavam aqui. Bom, e na carta se é notado bastante o choque cultural que o europeu teve em contato com os indígenas, já que os seus costumes eram bem diferentes. Em alguns trechos Caminha descreve a pintura dos corpos e a aparência física dos indígenas:
"A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma."
"[...] Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador."
E também muito se reparou sobre a nudez dos "índios", principalmente das mulheres. O que de certa forma causa um sentimento de revolta quando fui parar para lembrar e pensar, sobre a quantidade de estupros que veriam a acontecer, sobre o mal que esses colonizadores fizeram, e o fariam também com as escravas negras.
Em vários trechos, Caminha cita as "vergonhas" que nada mais é do que uma forma de citar as partes íntimas:
"[...] Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara."
"[...] E então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas."
"Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem novinhas e gentis, com cabelos muito pretos e compridos pelas costas; e suas vergonhas, tão altas e tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as nós muito bem olharmos, não se envergonhavam."
Achei interessante algumas partes em que ele fala sobre como os indígenas não comiam carne vermelha, que certamente só comiam legumes e coisas que davam na terra, e como eles ficaram espantados ao ver coisas e alimentos que para os europeus eram comuns:
"Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele."
"Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados."
"Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora."
"Trouxeram-lhes vinho em uma taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram dele nada, nem quiseram mais."
"Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos."
É dito por ele também, que os "índios" pareciam ser de total inocência, como se fossem muito ingênuos, e que pareciam nem ser capazes de ter sua própria crença, e ele achou que seria fácil catequizá-los, transformá-los em cristãos, e nisso vemos o eurocentrismo estampado, e a imagem do indígena como "selvagem" ou inferior. Não houve respeito ou noção nenhuma de que só por ser um povo diferente não significa que eles já não tinham suas próprias crenças.
"Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências."
Foi bom reler a carta de Caminha, de certa forma. Muitas vezes as escolas não costumam nos mostrar ela inteira, e não nos faziam refletir sobre ela. Depois que vamos crescendo e adquirindo conhecimento, percebemos a realidade de muitas coisas. E durante a aula agora na faculdade, percebi mais ainda o quanto tinha coisas péssimas nessa carta, e ele não descreveu quase nada nela, por exemplo, quase não se fala direito sobre as plantas, ou alimentos ou sobre os animais que haviam aqui.
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