Texto 11: Da representação à auto-apresentação da Mulher Negra na Literatura Brasileira, Conceição Evaristo

Neste texto de Conceição Evaristo se trata do assunto de como a imagem, a representação da mulher negra na literatura costuma a ser ligada mais ao seu passado escravo, e à ser tratada como um objeto sexual ou uma serviçal. Esse tipo de preconceito e estereótipo negros vivem enraizados e não somente na literatura, como na nossa sociedade. Aqui ela cita algumas obras e exemplos, da falta da mulher negra ser vista como uma mulher como todas as outras, que precisa de seus direitos, que precisa ser respeitada. Uma mãe, que nem podia cuidar de seus próprios filhos, isso quando eles não eram tomados delas. E essas mães negras, muitas eram amas de leite para os filhos do homem branco, e mal podiam alimentar seus próprios filhos.


E como exemplo de como a mulher negra não era representada e era negada na sociedade, é o exemplo do romance citado, A Escrava Isaura (1875) de Bernardo Guimarães, que se tornou também uma novela. Na narrativa, apesar de trazer uma protagonista escrava, ela não é uma mulher negra e sim branca. E se dá muito bem a entender por alguns trechos, que isso "chamava a atenção" nela. Tentaram distanciar ela das características do povo negro, até comentando sobre a "beleza física", ou seja, na visão deles, por ela não ser preta.


 Para mudar essa literatura, que não é nada representativa para as mulheres negras, muitas escritoras vêm buscando então uma forma de auto-representação da mulher negra, que descreva suas próprias experiências ou visões desse mundo, não mais somente por escritores brancos e sim por elas mesmas, que se conhecem, e que sabem da história de seu povo, e que têm o objetivo de cada vez mais se inserirem verdadeiramente no movimento literário. 


Aqui para o final, deixarei um texto de Maria Carolina de Jesus, que está citado neste de Conceição Evaristo, e que me fez pensar bastante:


Quarto de Despejo

[fragmentos]

8 de dezembro ... De manhã o padre veio dizer a missa.

Ontem êle veio com o carro capela e disse aos favelados que êles precisavam ter filhos. Penso: porque há de ser o pobre quem há de ter filhos – se filhos de pobre tem que ser operário? [...]

Quando o carro capela vem na favela surge vários debates sobre a religião. As mulheres dizia que o padre disse-lhes que podem ter filhos e quando precisar de pão podem ir buscar na igreja.

Para o senhor vigário, os filhos de pobre criam só com pão. Não vestem e não calçam.


[1962, P. 120]

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas